quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Simetria




Repousa serena em seu leito interior, absorve-se em pensamentos mundanos criando laços com o que sobrevive aceso. Doce menina de canto desafinado, outrora fostes uma fortaleza impenetrável, porém agora, não demasiadamente tarde, abre seus encantos aos que a sua volta, os encantam. Lembraste daquele dia em que deleitava-se ao burburinho do ar, entregando-se ao delicioso sereno que repousava sobre ti, aspirando aquela incerteza extasiante, e enfim, se permitia ao delírio dos dias em que tudo isso não seria aconchegante.
Ah menina, tua ausente meiguice conforta meus pesadelos,  me deixa mais mortal num universo de alegorias e prazeres incessantes, me faz experimentar a leveza do ar em um dia de tempestade. Não  se engane, isso não é romantismo, é só a pureza da alma, inocência da dor, aconchego do ego.
Doce criatura, eu sei que dentro de ti habita aquele monstro, mas não temas, ele é compatível com o que trago no peito , eles se entendem e compreendem, adulam-se nas suas travessuras e riem de nós por sermos tão bobos.
Esse silêncio que traz consigo é a beleza dos teus gestos, e as palavras nem mais fazem-se necessárias, porque a tua sutileza embala o canto que estou a imaginar, e tua mão aconchega a minha, e assim vamos nos enamorando. Venha menina! Deixa o medo nos embalar, deita nessa relva e sonha que estas de mãos dadas com o mais belo monstro que podias estar.