quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

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"Mas eu cuidarei de você, sempre."
Essa foi a última jura que  proferiu, nunca soube se foi verdadeira.
Muito antes de todo o vinho que já consumimos, ainda nos olhávamos com tamanha ternura, que os mais céticos se enterneceriam diante da cena, do simples roçar de mãos.
 Foi um dia até poético: outono, brisa fresca, folhas coloridas caindo, casacos e eu, sentada naquele velho banco de ferro no canto da dita praça. Talvez , se de alguma modo, as lembranças pudessem fazer viver novamente o que já se foi, eu escolheria a mesma cena e, acrescentaria o amor em forma humana que ocupava meus dias  e que, carinhosamente, enrolava meus cabelos.
Se um dia pudéssemos pedir alguma coisas aos deuses, escolheria ser mais amável, mais desinibida frente ao afeto que recebia e, erroneamente, não conseguia devolver. Tolas são as estradas do coração.
Sabe que as vezes a gente não percebe o bem que somos até sermos verdadeiramente alguém, digo, até chegarmos ao ponto de sermos tão confiantes do que somos que já nos dividimos e entrelaçamos com as almas alheias. Já nos desdobramos em olhares, e nos desmanchamos em lágrimas. E risos.
Nada do que devesse nos convencer nos convence, e os devaneios já são por demais insanos, e apesar de tudo, são as mãos delicadas que me conduzem ao abraço, o sorriso manso que me desarma, a ternura que me convence.
 É como flutuar, e estar tão leve e de uma tristeza tão profunda que transcende um mero estado de espírito, quem sabe seja divino. E flutua, e luta.
 "Mas eu cuidarei de você, sempre". Soltou minha mão e se foi. Eternamente.