Te deixo. Te deixo ficar aqui, por perto de mim, pra poder ver teu sorriso largo e olhos mansos.
Você deixa um beijo na testa, um enlaçar de cintura, a toalha jogada, as cobertas revoltas. E eu deixo porque a sua deixa é justa.
Te deixo enrolado nos meus cabelos, limpando a bagunça, envolto no meu corpo, jogado no sofá. Deixo a chama acendendo e indo e se mantendo e se apagando e reacendendo. Deixo os clichês de lado, as músicas românticas, o sedentarismo, o chocolate. Te deixo em mim.
Te deixo me olhar profundamente ou ressabiadamente, com indagações e franquezas- algumas desnecessárias. Te deixo vaguear pelo meu corpo e o embalar carinhosamente, enquanto a única coisa que se ouve é a noite lá fora. Te deixo respirar ofegante ou calmamente, enquanto te conto as utopias.
Deixo. Deixo porque é recíproco, porque vaguear as noites falando ou abraçando é suficiente pra dormir segurando a tua mão, o teu cabelo ou teu sono.
