Quando
lá no fundo o horizonte aparece com cara de sono, levantando-se pouco a pouco
espremendo o amarelo e laranja, afundo meus dedos na pequenas gramas, no
insistente orvalho e chego a terra.
Preciso
sentir aquilo, aquela coisa da qual dizem que viemos, aquela vida que brota do
centro do mundo e que se espalha pelos átomos e moléculas fazendo com que
tudo gire.
Não
por muito, esqueço daquelas pequenas coisas gostosas que acontecem entre o
despertar do burburijo da vida e o silêncio da noite. Os tons das cores, o
balançar das mãos, o cheiro do café, o saboreio do bolo, o silêncio dos olhos,
o virar de páginas, o vazio, o medo, a angústia, o beijo estralado.
Não
por muito esqueço e perco a razão ao tentar achar justificativas plausíveis ao
que acontece quando a angústia e a incerteza percorrem preguiçosa e
sedutoramente as linhas do destino ou do acaso.
Aperto
play. Aperto o coração e a ferida com dois dedos e faço dancinhas ridículas pra
ver se o destino se perde e acha umas entrelinhas com menos nós.
Menos
nós, menos nó. Piso nas graminhas, sentido o friozinho gostoso que salpicam e
dançam - também ridiculamente- na palma dos pés. E desenho com os dedos no ar o
sol que vai nascendo.
Rodopia.
Ri. Ridículo.
