quinta-feira, 10 de março de 2016





Quando lá no fundo o horizonte aparece com cara de sono, levantando-se pouco a pouco espremendo o amarelo e laranja, afundo meus dedos na pequenas gramas, no insistente orvalho e chego a terra.
Preciso sentir aquilo, aquela coisa da qual dizem que viemos, aquela vida que brota do centro do mundo e que se espalha pelos átomos e moléculas fazendo com que tudo gire.
Não por muito, esqueço daquelas pequenas coisas gostosas que acontecem entre o despertar do burburijo da vida e o silêncio da noite. Os tons das cores, o balançar das mãos, o cheiro do café, o saboreio do bolo, o silêncio dos olhos, o virar de páginas, o vazio, o medo, a angústia, o beijo estralado.
Não por muito esqueço e perco a razão ao tentar achar justificativas plausíveis ao que acontece quando a angústia e a incerteza percorrem preguiçosa e sedutoramente as linhas do destino ou do acaso. 
Aperto play. Aperto o coração e a ferida com dois dedos e faço dancinhas ridículas pra ver se o destino se perde e acha umas entrelinhas com menos nós.
Menos nós, menos nó. Piso nas graminhas, sentido o friozinho gostoso que salpicam e dançam - também ridiculamente- na palma dos pés. E desenho com os dedos no ar o sol que vai nascendo.
Rodopia. Ri. Ridículo.