sexta-feira, 12 de julho de 2013

-





Talvez preferisse a solidão , porque estar com o outro fosse devastador demais. Faz pensar no depois, se haverá depois, se haverá mais carinhos ou - como um outro - nada, só palavras soltas em momentos inoportunos. Ah! Talvez quisesse somente sair por ae sem rumo, andar e encontrar alguém que escutasse suas lamúrias e depois segurasse sua mão, como em um ato fraterno. Nada de carícias, nada de carinhos, nada de palavras bonitas.
 Nessas noites que teimam em passar, os livros se acumulam na prateleira , mas nem isso a comove, não caberia num momento como esse, a simpatia e o amor do outro. Não, definitivamente. 
E não sabe nem porque as lágrimas insistem em se derramar sobre sua face. E não sabe nem nada, nem tudo. E não sabe e chora. Essa história de viver por amor, de viver intensamente os sentimentos, isso só serve pra achar que somos capazes de suportar tudo isso. Quanta mentira! 
Talvez o recato, aquele que você era e pretende ser, talvez esse seja o caminho. Mas enquanto isso, chora nas raras noites em que o sentimento faz de si uma casa e, inesperadamente, a toma. E se afoga.

sábado, 6 de julho de 2013

Desestrutura da confissão.

Hoje sentei naquele canto do jardim onde quase ninguém percebe que existe. Pelo meio das flores, galhos e restos de folhas que habitam o chão, longe do que pensam ser a solidão, estava em paz. Há tempos resguardava a vontade de viver essa solidão sem remorsos, mas há aqueles que não entendem essa vontade de resguardar-se dentro de si.
Hoje até acordei mais plena, mais cheia de vontades e desejos, deixando-me levar pela brisa leve que bateu quando abri a janela do quarto. Sabe de uma coisa, vou sair mais um pouco, estender o sonho pelas ruas frescas esbaldando-se em sorrisos e indagações toscas.
Confesso: hoje levantei com aquele sorriso deitado no meu ombro, enlaçando  minha cintura, e me pareceu que a paz estava ali, e que o caminho estava livre para viver sem pudores. É nesses dias em que o sol entra discretamente pela fresta da janela no amanhecer,em  que eu vislumbro o carinho ali pertinho de mim, em que eu quero aninhar-me mais e deliciar-me no outro, é nesses momentos que  encontro a felicidade.
Confesso outra coisa: não é nada fácil abir caminhos no coração em que os outros possam invadir, mas quando eles invadem- quando atravessam todas as armadilhas e códigos que o segredam-  fica mais leve, como se o fardo pudesse ser suportado,  aconchegado em um abraço, batesse mais forte, vivesse.
Sentei na grama que cobre serenamente toda a extensão que meus olhos enxergam, e o que eu vi foi o céu - coisa simples né?! - foi todo esse clichê de imensidão que , por um instante, me pareceu palpável.
Talvez eu nem tivesse um enredo quando as palavras foram se desenrolando por aqui, mas é que quando as palavras aparecem é preciso, com uma ânsia compulsória, registrá-las em algum lugar . O que eu quero é só imprimir toda inquietude que me toma, talvez a destreza com as palavras não seja meu forte, nem a leveza que por vezes anseio em transmitir, nem a coerência que penso ter. Talvez eu seja somente mais uma lunática a espera de um manicômio. Ou talvez sei la, talvez só seja, sem definições, sem delimitações, sem devaneios. Só sonhos na estrada.