sábado, 6 de julho de 2013

Desestrutura da confissão.

Hoje sentei naquele canto do jardim onde quase ninguém percebe que existe. Pelo meio das flores, galhos e restos de folhas que habitam o chão, longe do que pensam ser a solidão, estava em paz. Há tempos resguardava a vontade de viver essa solidão sem remorsos, mas há aqueles que não entendem essa vontade de resguardar-se dentro de si.
Hoje até acordei mais plena, mais cheia de vontades e desejos, deixando-me levar pela brisa leve que bateu quando abri a janela do quarto. Sabe de uma coisa, vou sair mais um pouco, estender o sonho pelas ruas frescas esbaldando-se em sorrisos e indagações toscas.
Confesso: hoje levantei com aquele sorriso deitado no meu ombro, enlaçando  minha cintura, e me pareceu que a paz estava ali, e que o caminho estava livre para viver sem pudores. É nesses dias em que o sol entra discretamente pela fresta da janela no amanhecer,em  que eu vislumbro o carinho ali pertinho de mim, em que eu quero aninhar-me mais e deliciar-me no outro, é nesses momentos que  encontro a felicidade.
Confesso outra coisa: não é nada fácil abir caminhos no coração em que os outros possam invadir, mas quando eles invadem- quando atravessam todas as armadilhas e códigos que o segredam-  fica mais leve, como se o fardo pudesse ser suportado,  aconchegado em um abraço, batesse mais forte, vivesse.
Sentei na grama que cobre serenamente toda a extensão que meus olhos enxergam, e o que eu vi foi o céu - coisa simples né?! - foi todo esse clichê de imensidão que , por um instante, me pareceu palpável.
Talvez eu nem tivesse um enredo quando as palavras foram se desenrolando por aqui, mas é que quando as palavras aparecem é preciso, com uma ânsia compulsória, registrá-las em algum lugar . O que eu quero é só imprimir toda inquietude que me toma, talvez a destreza com as palavras não seja meu forte, nem a leveza que por vezes anseio em transmitir, nem a coerência que penso ter. Talvez eu seja somente mais uma lunática a espera de um manicômio. Ou talvez sei la, talvez só seja, sem definições, sem delimitações, sem devaneios. Só sonhos na estrada.

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