Se não fosse desespero, talvez seria loucura, talvez seria ânsia persistente em perambular e virar-se para um mundo em que pesadelos sejam o conforto necessário. Revira-se dentre os mais íngremes e desesperados caminhos, sintetiza esperanças, transpira os medo e escorre-se em lágrimas, lava-se em dor.
A tortura é percorrer os íngremes caminhos e deparar-se com os demônios alheios, a desesperança, o desapontamento e o anseio - já sucumbido pela podridão- pelo encontro de alguma luz. Ofusca a luz. Detém-se em qualquer canto mais arborizado e faz seu ninho um lar. Mesmos que os vermes à destruam lentamente, mesmo que o desencanto à tome vez ou outra, ainda vê qualquer resquício de claridade que clama por sua presença.
Ainda há alguma ilusão nisso tudo, dádiva ou castigo, temores , ameaças e amor. Talvez o último consiga lhe salvar.
Foto: Katerina Plotnikova

Nenhum comentário:
Postar um comentário