segunda-feira, 24 de novembro de 2014

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Escorre por todo o corpo e desce lentamente descobrindo todas as linhas que deixaram de ser tocadas. Escorre por entre as nuances que cintilam ao sol e deixa-se conduzir pela leveza do toque que percorre e desvenda a doçura do desejo que arrepia e adoça.
Não por engano estava ali, por entre sorrisos e malícias e o cheiro da grama verde depois de revirada pelos corpos em sintonia, harmonia e leveza. Sentir a água secando junto ao corpo vagarosamente, sentir a mãos acariciando a outra amorosamente e ver o brilho do outro cintilando junto ao teu. 
Não por engano ou insensatez se permitiu as sensações, à brisa, às gotas, as mãos, as costas,os olhos , a água.O barulho do sossego quando tudo escorre por entre o corpo, as pernas e o mundo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014





Morri. E nem tudo é tão ruim como costumavam dizer.
Morri porque desejei um descanso eterno por entre as árvores já desgalhadas daquele bosque que fica perto do vazio, tão vazio que encontrou minha alma  e entrelaçou-se. Não mais deixou-me ir. Nem quis.
Morri porque já não suportava olhar pelos vazios que vagavam desumanamente nas ruas abafadas daquela cidade em ruínas, nem sabiam eles, mas clamavam por ajuda, por misericórdia.
Morri porque aqui, entre às fúnebres árvores deste bosque minha insensatez não me acovarda, nem é amordaçada. Aqui a liberdade me prende , me enche e me esvazia.
Morri porque não sou uma alma frenética em busca de qualquer ideal vazio.
Morri porque vagar entre os galhos secos e o clima fúnebre, me lembra mais vidas do que o  desespero em que se encontra a humanidade. 

Foto: Katerina Plotnikova

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014


Sempre fora assim, tão solta e leve quanto a brisa que sopra de manhã e embala seu sorriso após soprar a fumaça do café. Talvez, vez ou outra, até pudesse pendurar um sorriso triste, mas isso era para poder se camuflar na multidão, compartilhar das ambiguidades que desatinam os miseráveis.