sexta-feira, 12 de setembro de 2014





Morri. E nem tudo é tão ruim como costumavam dizer.
Morri porque desejei um descanso eterno por entre as árvores já desgalhadas daquele bosque que fica perto do vazio, tão vazio que encontrou minha alma  e entrelaçou-se. Não mais deixou-me ir. Nem quis.
Morri porque já não suportava olhar pelos vazios que vagavam desumanamente nas ruas abafadas daquela cidade em ruínas, nem sabiam eles, mas clamavam por ajuda, por misericórdia.
Morri porque aqui, entre às fúnebres árvores deste bosque minha insensatez não me acovarda, nem é amordaçada. Aqui a liberdade me prende , me enche e me esvazia.
Morri porque não sou uma alma frenética em busca de qualquer ideal vazio.
Morri porque vagar entre os galhos secos e o clima fúnebre, me lembra mais vidas do que o  desespero em que se encontra a humanidade. 

Foto: Katerina Plotnikova

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