domingo, 10 de maio de 2015

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A minha pele toca a tua pele, e toco todo o resto tateando tudo do teu todo. Tudo é tanto que nem se fosse muito seria suficiente, nada seria mais inteiro do que você entregue pra esse tanto que somos nós.
Nós: inteiros, seletos, completos, serenos, sem nada. Nós com nós se bastando do tudo que o outro é, de tudo que nos constrói, do que somos e seremos quando por todo, nos bastamos.
De tudo que somos, e do todo que nos cerca, somos tudo que o outro, depressa atravessa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

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Te deixo. Te deixo ficar aqui, por perto de mim, pra poder ver teu sorriso largo e olhos mansos. 
Você deixa um beijo na testa, um enlaçar de cintura, a toalha jogada, as cobertas revoltas. E eu deixo porque a sua deixa é justa. 

Te deixo enrolado nos meus cabelos, limpando a bagunça, envolto no meu corpo, jogado no sofá. Deixo a chama acendendo e indo e se mantendo e se apagando e reacendendo. Deixo os clichês de lado, as músicas românticas, o sedentarismo, o chocolate. Te deixo em mim.

Te deixo me olhar profundamente ou ressabiadamente, com indagações e franquezas- algumas desnecessárias. Te deixo vaguear  pelo meu corpo e o embalar carinhosamente, enquanto a única coisa que se ouve é a noite lá fora. Te deixo respirar ofegante ou calmamente, enquanto te conto as utopias.

Deixo. Deixo porque é recíproco, porque vaguear as noites falando ou abraçando é suficiente pra dormir segurando a tua mão, o teu cabelo ou teu sono.