domingo, 18 de agosto de 2013

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Tuntum 1..2..3..Tuntum 1..2..3..Tuntum 1..2..3..
Bate assim lá dentro bem compassado. Tuntum 1..2..3.. Tuntum 1..2..3..
Imersa em si, ouvindo nada mais do que a pulsão lá dentro, como se o mundo nem existisse e o calor lhe faltasse. Fecha os olhos, vê a escuridão e sente. Tuntum 1..2..3.. Tuntum 1..2..3..
E já nem chora mais, porquê o que sente é paz. Revoltosa em ilusões, como um sopro do nada que leva tudo. Tudo que ainda restou. 
O que a brisa não leva se desfaz em canções ritmadas pelas batidas compassadas que brotam de si e compõem a sinfonia que a fere e condena, dissolve e eleva. Tuntum 1..2..3 Tuntum 1..2..3..
 E sopra levemente um murmúrio onde deleita-se suavemente, e sussurra gentilmente os doces anseios que a velam. Procede o mantra que conduz as batidas, produz as cores que à envolvem delicadamente dando forma e luz ao seu ser. 
Dorme embalada pelas confissões que a desatinam, e desdobra-se em danças rítmicas no lençol azul celeste que contorna suas formas e, melodiosamente, da cor ao sonho.
Tuntum 1..2..3.. Tuntum 1..2..3..
Talvez a morte seja assim, compassada. Ou talvez seja a vida um breve instante onde um sopro qualquer nos vele. Ou o vazio, talvez nada nos defina e tudo o que  se pode ouvir com clareza são as mórbidas batidas que impulsionam o viver. Ou a ilusão.
Tuntum 1..2..3 Tuntum 1..2..3..

sábado, 10 de agosto de 2013

Um pastel

As mãos podem até tremerem nesses momentos e as pernas bambearem, mas a consciência sempre será mais inquisidora, sempre será a chefe da tua alma. Ou talvez seja a alma a extensão do outro. Ou talvez sejamos todos um bando de tolos que saem pelas ruas gritando e exigindo, que saem distribuindo aos ventos seus argumentos, e esquecem dos pobres diabos deitados nas esquinas cobertos por plásticos, tentando desvencilhar a morte, a fome e a repugnância que causam. São as vozes dessas pessoas que eu quero ouvir, são as exigências dessas almas que são reprimidas pelos olhares que dispensamos com desprezo, são eles que devem exigir. Quero ouvir de novo , e de novo e novamente a voz dessas pessoas agradecendo por um pedaço de massa frita com carne. Eu quero ouvir de novo “ Muito obrigada minha filha, Deus te abençoe”. Mas eu queria mesmo era poder ouvir isso sem que depois,o desdentado e maltrapilho ser, se escondesse por debaixo de um plástico. Se esconde porque chove e dorme porque distrai a fome, mas na verdade eu diria a esse senhor que quem teria de se esconder somos nós, por distribuirmos discursos cheios de exigência , por sermos tão poucos humanos em um lugar que bonito mesmo é ser o contrário do que se exige, bonito mesmo é ser hipócrita.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

:: desempoeirando ::


Talvez nem ela mesmo creia na fé que a sustenta e na audácia dos atos que está colocando em prática. Talvez nem imaginasse que todo esse poço de doçura e aconchego, de carinho e afeto coubesse em seu peito, e a tomasse de um modo tão singelo e tão descontraído. Sim, porquê é preciso de sorrisos para que o coração baixe sua guarda, destranque suas tramelas, e espie pela fresta. 
Talvez nem imaginasse que sair andando por entre desconhecidos e sorrir para todos iria proporcionar tamanho prazer, aquele prazer escondido e engraçado que você sente quando vê que desacomodou alguém. Parece doido não é mesmo, essas bizarrices que acontecem diariamente, como quando você tropeça em alguém que lhe dá o melhor olhar de compreensão e te abraça com toda alma que sai pelo brilho da sua singular pupila.
Ou talvez ela sinta aquele êxtase que a percorre quando acorda e vê que o sol vai acolhendo a todos mansamente, como um velho com o sorriso escondido por entre sua longa barba branca e sua expressão de felicidade de rever um neto querido. Esses , definitivamente, são os melhores dias.
Ela nem sempre é só, nem sempre é toda, nem sempre é tudo e todos. Talvez nem seja e talvez nem pense sobre o que talvez ache que seria conveniente. 
Talvez ela só goste de metáforas que ficam perambulando o mundo em busca de alguém que as tomem e faça sua casa nas curvas das palavras. Ou de alguma letra.