As mãos podem até tremerem nesses momentos e as pernas bambearem, mas a consciência sempre será mais inquisidora, sempre será a chefe da tua alma. Ou talvez seja a alma a extensão do outro. Ou talvez sejamos todos um bando de tolos que saem pelas ruas gritando e exigindo, que saem distribuindo aos ventos seus argumentos, e esquecem dos pobres diabos deitados nas esquinas cobertos por plásticos, tentando desvencilhar a morte, a fome e a repugnância que causam. São as vozes dessas pessoas que eu quero ouvir, são as exigências dessas almas que são reprimidas pelos olhares que dispensamos com desprezo, são eles que devem exigir. Quero ouvir de novo , e de novo e novamente a voz dessas pessoas agradecendo por um pedaço de massa frita com carne. Eu quero ouvir de novo “ Muito obrigada minha filha, Deus te abençoe”. Mas eu queria mesmo era poder ouvir isso sem que depois,o desdentado e maltrapilho ser, se escondesse por debaixo de um plástico. Se esconde porque chove e dorme porque distrai a fome, mas na verdade eu diria a esse senhor que quem teria de se esconder somos nós, por distribuirmos discursos cheios de exigência , por sermos tão poucos humanos em um lugar que bonito mesmo é ser o contrário do que se exige, bonito mesmo é ser hipócrita.
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