quinta-feira, 1 de agosto de 2013

:: desempoeirando ::


Talvez nem ela mesmo creia na fé que a sustenta e na audácia dos atos que está colocando em prática. Talvez nem imaginasse que todo esse poço de doçura e aconchego, de carinho e afeto coubesse em seu peito, e a tomasse de um modo tão singelo e tão descontraído. Sim, porquê é preciso de sorrisos para que o coração baixe sua guarda, destranque suas tramelas, e espie pela fresta. 
Talvez nem imaginasse que sair andando por entre desconhecidos e sorrir para todos iria proporcionar tamanho prazer, aquele prazer escondido e engraçado que você sente quando vê que desacomodou alguém. Parece doido não é mesmo, essas bizarrices que acontecem diariamente, como quando você tropeça em alguém que lhe dá o melhor olhar de compreensão e te abraça com toda alma que sai pelo brilho da sua singular pupila.
Ou talvez ela sinta aquele êxtase que a percorre quando acorda e vê que o sol vai acolhendo a todos mansamente, como um velho com o sorriso escondido por entre sua longa barba branca e sua expressão de felicidade de rever um neto querido. Esses , definitivamente, são os melhores dias.
Ela nem sempre é só, nem sempre é toda, nem sempre é tudo e todos. Talvez nem seja e talvez nem pense sobre o que talvez ache que seria conveniente. 
Talvez ela só goste de metáforas que ficam perambulando o mundo em busca de alguém que as tomem e faça sua casa nas curvas das palavras. Ou de alguma letra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário