sexta-feira, 8 de março de 2013
Anexo 1
Acorda cedo e ouve a janela batendo com o vento. Entre tropeços consegue atravessar os calçados, camisas, carregadores e o violão que estão jogados pelo seu quarto. " Uma xícara de café, por favor. Eu mereço". Em outros tempos, sem relutância alguma, completaria o dito café com um outro pedido: " e um amor" , os dois quentes de preferência. "Esqueça o Caio e apague de vez essa história de amor", vamos somente apreciar a bagunça do teu quarto, um café quente e o vento frio que entra pela tua janela.
De súbito olha pro violão jogado no canto, lembra que mês passado até trocou as cordas dele com o incessante pensamento de , talvez, aprender a tocá-lo. Ficou no talvez, empoeirado do lado daquele abajur quebrado, abrigando em sua capa aquela palheta verde esmeralda que você achou tão bonita.
Ah se a mente desse folga, iria correr sem pressa alguma pelas ruas arborizadas e espaçosas onde você moraria caso , por ironia do destino, a insensatez não a dominasse. Levaria uma vida saudável, comendo frutas e verduras, alimentando-se corretamente, praticando exercícios regularmente. Mas uma vida assim não seria facilmente persuadida pelos hábitos que veio adquirindo, além do mais, nunca poderia tomar leite com Nescau quando bem entendesse, quanto mais misturar aquela Vodka com a cerveja que te ofereceram. Não, os vícios lhe definem melhor.
Termina o café e joga, delicadamente, o recipiente em cima da cama, mais precisamente do lado do travesseiro, no meio da cama revolta. A noite foi medrosa, veio com aquelas manias de pesadelos e indecisões, e não deixou o descanso ser pleno. Outra coisa que atrapalharia a vida correta que planeja ter; o prazer do permanente acordar. É que quando a noite nos honra com insônias, ironias e risos, não se pode sequer imaginar como seria um tranquilizador e confortante descanso e, mais, não seria conveniente trocar a insanidade pela súbita serenidade.
Acaba de achar a escova de cabelo que havia perdido, no meio da camisa vermelha , atrás do tênis (que promete a dias lavar), em baixo da cama. Hora que tudo isso já é um progresso, não é todo dia que se encontram coisas que foram perdidas a semanas."Malditos gnomos, sempre brincando comigo!"
Então deixa tudo assim mesmo, revolto em si mesmo, até porque, as idéias fluem melhor quando a bagunça reina, a obra de arte fica mais excêntrica, e, quem sabe, até engane melhor aqueles que acham que a sensatez a move constantemente. Café, violão, bagunça e leite com Nescau: não há motivos coerentes para abandoná-los.
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Cada día escribís más lindo!
ResponderExcluirObrigada Fabian (:
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