Ele a envolveu delicadamente tomando-a em seus braços com destreza e prudência. Aos poucos foram se desenrolando suavemente e descobrindo as linhas do outro: mãos que pairam sobre o corpo em chama e bendizem a graça do encanto que os envolve.
" Vem comigo"- ele sussura gentilmente em seu ouvido. E como não há escolha, ela deixa-se desfalecer em suas súplicas secretas de amor.
Na penumbra do seu quarto, envoltos a meia luz, sintonizados na frequência do ser carnal, fervoroso e passivo que os tomam, encontram seus desejos no olhar que se cruza.
O olhar é o grito do desejo, vislumbrando o fervor que os consome, a censura que os protege, o anseio pelo tomar-se pela luxúria.
"Me segue"-ela diz, e graciosamente o conduz pelos mistérios que a envolvem. Enlaça-o, abraça-o, sente-o ofegante e perplexo com o que está por vir, chama-o a descobrir sua cobiça. Desenrola toda sua graça e convida-o a cobri-la de imprudência e rudez.
E a penumbra é a única prova de que o enlaço acontece, rodeia-os e os toma com todo recato necessário. Só os olhos sabem o fervor que a alma doa, e que, só a luz do raiar do dia abrandará seus corações.

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