E sempre sentiu a necessidade de transpor-se. Não que o cuidado à assolasse, mas a imensidão dos todos à chamava e se refazia em seu íntimo.
Outras vezes, em relva verde e solitária consumia-se em danças compassadas pelo murmúrio do vento que percorria todos os cantos e toda pele. Ah, a pele! Essa sim a fascinava: o toque suave ou hostil, o calor que denotava os corpos em sensações distraídas e perpétuas. O doce emaranhado de fios e entrelinhas que a guiavam por meio dos anseios alheios.
Certa vez encontrou olhos tão doces que pousaram em seu pensamento e, certamente, adentraram com tamanha intensidade que sua pupila dilatou-se. Não se sabe ao certo o que encontrou naqueles incessantes olhos que a perseguiam mas - uma coisa é certa- deixou-a amparada na loucura.
E foi-se sempre desse mesmo jeito, insaciável ser que se consumia de abstrações e, quando o sol de mansinho chegava, nada mais fazia do que desmanchar-se em sorrisos. Deitada em canto qualquer, tendo os grafos mal rabiscados em todo canto que a preenchesse, fazia de si devaneio improvável.
O que resta ainda - e sempre restará- é a doçura que embala seus dias, assim como a suavidade que move seus longos cabelos. Assim como os aconchegos que distribui.
Há quem diga que a salvação do mundo está nas mãos de gente como esta: pobre alma solitária carregada de amor e leveza. Enquanto isso, soprando seus anseios, descansa serenamente junto as asas. Descansa e sorri profundamente, como quem flutua sobre si.
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